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A bulha e o bullying
Não, isso de andar à bulha não é bullying!

Não, isso de andar à bulha não é bullying! E chega de se confundir a bulha, que é um património da Humanidade, do bullying, que é um atentado à humanidade. As crianças precisam de andar à bulha. E as pessoas crescidas ganhavam se andassem mais vezes à bulha em vez de fazerem bullying umas às outras. Mesmo que se afirmem contra ele e o confundam com a bulha.

Os irmãos precisam de andar à bulha (para aplainarem a raiva que têm por não serem filhos únicos). Os rapazes precisam de andar à bulha (para aprenderem a ser rapazes). E as raparigas precisam de andar à bulha (de maneira diferente da dos rapazes, para aprenderem a ser raparigas). Já agora, os pais precisam de andar à bulha. Porque, doutra forma, não alimentavam picardias por tudo e por nada, não discutiam por coisas sem sentido e não amuavam, dias a fio. A bulha ajuda a crescer. Mesmo que, às vezes, represente uma forma de pedir colo ao encontrão.

A bulha ajuda a descobrir a diferença entre a violência e a agressividade. E serve para experimentar a agressividade e as suas consequências, quer quando a manifestamos quer quando somos “premiados” pela dos outros. E para descobrirmos que a agressividade representa uma forma de nos chegarmos ao corpo de alguém e de nos excedermos, “movidos a raiva”. Para que, de seguida, pedirmos desculpa e nos aproximarmos mais do que, porventura, sem a sua ajuda não o faríamos.

Bulha não é bullying. Bulha é um exercício leal; bullying é uma cobardia. Bulha é: “que raiva que tu me metes!”; bullying é arrogância, ódio e desprezo. Bulha é: “preciso de saber o que não quero para descobrir quem é que sou”; bullying é: “só preciso de ti para que saibas que não prestas“. Bulha é crispar; bullying é humilhar. Bulha é fúria; bullying é maldade. Bulha é “chocar de frente”; bullying é “atacar pelas costas”. Bulha não é bullying. Ponto final.

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