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A graça de um filho, quando dorme
Nem sempre os nossos filhos, quando crescem, entendem a falta que nos fazem...

Nem sempre os nossos filhos, quando crescem, entendem a falta que nos fazem, quando saem de casa. Não é tanto porque ela, sem eles, fica mais silenciosa. Nem por deixarmos de estar preocupados, a olhar para as horas, à espera que eles cheguem. É, sobretudo, porque - ao passarmos pelo seu quarto, à noite - deixamos de ter a graça de os ver a dormir.
Eu acho que ninguém entende, como devia, o bem que nos faz ver um filho a dormir! Um filho, a dormir, não é um anjo. É muito mais! A beatitude e a beleza do seu rosto faz com que o tempo pare, ali, às nossas mãos. E o encanto que nos dá deixa-nos supor que uma tão infindável serenidade só é possível por ele se confiar, sem reservas e sem medo, à nossa guarda. E esse furor que, devagarinho, nos leva ao céu, silenciosamente - só de o olharmos, quase a sorrir - deixa que se perceba que, afinal, a perfeição se faz de coisas simples e pequenas.
Ver um filho, seguro, no escuro, a dormir, bem fundo, traz até nós o Céu inteiro. Ao mesmo tempo que nos convence a sermos, de rompante, outra vez, frágeis, amigos íntimos do encantamento e pequeninos. E ajuda a sentir que o mundo, por mais virado do avesso que pareça, perante a estranha beleza de um filho, quando dorme, é o lugar mais perto da perfeição a que se chega.
A graça de ver um filho a dormir faz com que, a partir daquele sítio, tudo o mais (que parece esdrúxulo e fundamental) se resuma a muitos quase-nada. Que, ao pé do Céu, faz de nós Deus. E daquela noite o tempo inteiro.

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