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A inveja entre os irmãos
Porque é que os nossos filhos têm um "interesse especial" por tudo aquilo que é dos irmãos?

Porque é que os nossos filhos parecem acabar a gostar mais dos brinquedos dos irmãos que daqueles que tiveram? Porque são "invejosos".

E, se começarmos assim, fica no ar um receio do género: hoje, invejam os brinquedos; amanhã, invejam os resultados escolares; depois, invejam as carreiras que constroem; e, finalmente, é uma inveja pegada quando se trata de falar de partilhas. Ora, a grande vantagem de invejarem os brinquedos uns dos outros é que, sem esses remoques, os nossos filhos nunca aprenderiam a ser irmãos. Por outras palavras, eles só aprendem a partilhar se, antes, não fizerem cerimónia quando se trata de invejar. Ou, doutra maneira: partilhar o que é bom sem partilhar o que “é mau” não é bem partilhar. É quase "fazer cerimónia". Em vez de se ser transparente, quando se ama.

Sentir inveja faz bem. Porque significa que os nossos filhos estão sempre prontos a "deitar o olho ao que é bom". Porque o fazem sem grandes restrições e de forma sincera. E porque sem isso nunca teriam o nosso "músculo educativo", quando se trata de os educarmos para perceber que amar não significa ter tudo. Nem não ter de escolher. Nem sem que se aprenda a "perder". E a dividir.

Por outro lado, sentir inveja e ser-se invejoso é quase o contrário uma coisa da outra. Sentir inveja surge quando se admira. Quando se cobiça. Ou quando se deseja. Mas quando, ao mesmo tempo, se reconhece que aquilo que nos desperta inveja pertence a pessoas parecidas connosco. Logo, na sua forma saudável, a inveja empurra-nos para o desejo. Para a ambição. Para a rivalidade. Para a conquista. E para a garra. Ou seja, são as crianças sempre muito "boazinhas", que "dão tudo", sem rezingar, e que parecem alheias à inveja, quem mais me preocupa. Porque parecem não distinguir o que é bom ou bonito daquilo que "não presta".

A bondade constrói-se quando se arredondam "sentimentos com arestas". Logo, fazer de conta que se é alheio à inveja é meio caminho para se vir a ser invejoso. Mesmo que, por vezes, a inveja se mascare de indiferença. Ou de desdém. O mal dos "maus sentimentos" é a forma como os guardamos e os censuramos. E não os confiamos a quem é de confiança. Porque isso faz com que "cresçam"; de tanto fugirmos deles. Ou seja: sentir inveja é um fator de crescimento; mas a inveja "atrofia" e "mata" uma relação quando se embrulha em segredo. Quando se "mói". E alimenta o rancor. Dito doutra maneira: os "bons sentimentos" funcionam como o açúcar. Os "maus" como o sal. Sem uns e sem outros somos "insossos". E não é de pessoas desenxabidas que o amor se engrandece.

Quanto mais são íntimas e acolhedoras mais uma relação precisa dos "sentimentos maus" para que se torne boa. Quanto mais ela é forte mais cresce com eles. Quanto mais ela é aberta mais fraterna se torna.

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