Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no nosso website. Ao navegar neste website está a concordar com a nossa política de cookies.
A vida é bela! As mães é que a complicam...
A sério?!

As coisas põem-se assim: "A vida é bela! As mães é que a complicam..."

Mas voltemos um pouco atrás. Depois de uma pessoa dormir "a correr" e levantar-se à pressa, chama as crianças. Grita para que se despachem. Ameaça que vão em cuecas para a escola. Escrevinha, atabalhoada, a lista de compras para a D. Guida. Desespera com a calmaria com que descem as escadas e entram no carro. Deixa passar a "janela de oportunidade" de cinco minutinhos que lhe permite não ser engolida pelo "pára/arranca" do trânsito. Apetece-lhe pôr a mão na buzina umas duzentas vezes antes de deixar as crianças na escola. Olha pelo retrovisor. Enche-se de paciência quando uma delas diz que não gosta da escola. Tenta ser querida. Ouve, pela décima vez naquela manhã: "Mãe!?... Não quero ir à escola!" "Mãe! Mãe! Mãe!?..." "Dois minutos de silêncio, sim?..." Perde a razão e comenta, entre dentes: "Se só fizesse aquilo de que gosto eu não fazia era nada!" Atende o telefone. A avó das crianças faz as suas queixinhas do princípio do dia. Sossega-a. "Isso passa, mãe. Vá...!" "Como é que está a ser manhã?" "O terror do costume!" "Ai, filha! Estás tão stressada logo de manhã! Tens que ter paciência...". "Sim, mãe. Claro, mãe. Beijinho, mãe!..." Olha pelo retrovisor. Grita qualquer coisa do género: "Pára de atazanar o teu irmão, sim?!...". Trava a fundo. Lança um olhar fulminante a um "Sr. Condutor" que abana a cabeça, com um olhar de desprezo, por ver uma mulher enervada ao volante. Deixa as crianças. Dá um beijinho. E outro. E, agora, mais um xi-apertado. E evita, (mas não consegue!) a mãe "grão-mestre" do grupo de WhatsApp da turma de uma das crianças. E sim, "Claro que estou disponível para organizar a festinha da Páscoa!”. Vocifera e recrimina-se, para dentro, "Quando vou aprender a dizer n-ã-o?". Respira fundo. Mete-se no carro. Lá vão mais 30 minutos no trânsito com uns senhores, na rádio, a dizer chalaças. Entra no desafio da manhã de uma das estações. Se eu fosse uma massa qualquer o que é eu queria ser? "cotevelinhos!", tal é a dor de cotovelo que tem em relação a tudo o que sonhou. Estaciona. Corre para a reunião. Põe o dedo no controlo biométrico. Suspira. "Ao menos, agora, ninguém me tira um café, em sossego!”. "Despacha-te! O chefe quer a reunião mais cedo!". Adeus café. "Sim, claro. Como está?, chefe" "O dossier deste cliente? Não passa de hoje, de acordo." Senta-se. Liga o computador. Chega um SMS. "Amo-te!". Sorri. Manda um coração. Reconsidera. Vá... Não brinques comigo! Abre o correio electrónico. 300 mensagens! Olha o relógio. 10 da manhã. "Boa! Daqui a 14 horas já estou a dormir".

Deixemo-nos de coisas: a vida é bela. As mães é que a complicam... (A sério?...)

subscreva