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A vida são dois dias
Os pais é que sabem...

As coisas são como elas são: uma pessoa corre todos os dias. Esperando pelo fim-de-semana. Levanta as crianças. Veste as crianças. Grita com elas. A seguir, dá-lhes um abraço, despede-se com mais um beijinho, e sente-se a pior mãe do Universo, por ser a "chata oficial" lá de casa. Depois, fica o dia todo a "moer-se" a forma como tudo parece correr mal, todas as manhãs. A seguir, corre que se farta para as ir buscar. Enche a alma só de imaginar que elas correm para os nossos braços. Mas as coisas começam a correr mal quando elas nem nos ligam e pedem "só mais um bocadinho", meia dúzia de vezes. A seguir, já a nossa cara vai em "sargento" quando lhes abrimos os olhos e, fazendo um movimento grande com a boca, lhes dizemos, sem nos sair um som: "A-GO-RA!". Para que, depois, elas entrem no carro, zangadas. Saiam do carro, zangadas. Queiram ver desenhos animados em vez de tomarem banho, e fiquem zangadas. Até que chegamos ao "não quero sopa", com elas zangadas e nós, sem ninguém ver, a enfiar-lhes umas colheradas pela boca abaixo. Zangadas.
A seguir, lavamos os dentes. Elas protestam com o sabor da pasta. Lavam a cara e as mãos. Contamos-lhes uma história. Elas protestam com o escuro. E nós, respiramos fundo e, quando, finalmente, podíamos conversar ou desfrutar duma série, adormecemos. Mas, se tudo correr bem, no fim-de-semana, tudo será diferente.
Só que as crianças, ao sábado, acordam às sete. Primeiro despertam-nos com o "Não tenho sono!". A seguir, insistem num discurso motivacional: "Acorda!". Depois, azucrinam-nos a paciência, umas trinta vezes, com "Tenho fome!". E, a seguir, ajudam-nos na actividade física com mais um "Queres brincar comigo?...". A seguir, vestimo-nos todos à pressa. Separamos as crianças umas quatro ou cinco vezes, com elas - zangadas! - a dizerem-nos: "Foi ele que começou!". E, quando chegamos à rua, estamos bons para a sesta. Entretanto, alguém tem de ir às compras. Depois, há o futebol de um deles. E o "Não te esqueças que ele, hoje, tem uma festa!". E mais vale passar por casa, antes do almoço, para lhes dar a sopa, porque eles estão habituados a comer mais cedo. Entretanto, já alguém repetiu, por várias vezes, "Tenho fome!" e "Quero fazer chichi!". Toca a meter toda a gente no carro. Chega-se ao restaurante. Tira-se um brinquedo para um. Um babete para o outro. "Chiu, não façam barulho, que estamos no restaurante!". "Tenho sede!". "Tenho chichi". "Quem vai lá agora?" Pede-se a conta. Toda a gente a levantar-se e a meter-se no carro. Deixa-se uma das crianças numa festa. A outra choramiga porque quer lá ficar. Entra-se em casa. Tenta-se passar pelo jornal. Dormita-se. "Alguém quer brincar comigo?". Volta-se à festa. A seguir, mete-se a criança no carro. Chega-se a casa. Banhos. Jantares. Mais as histórias, claro. E mais um "Não tenho sono." E quase tudo se repete, no domingo. Mais outra vez.
Considerando a lufa-lufa de todos os dias, que valha aos pais "o descanso" do fim-de-semana!... Afinal, a vida são dois dias...

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