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Amor de mãe
As mães são corajosas

Daí que seja importante lembrar que todas as mães são corajosas quando decidem ser mães. E são corajosas quando, sempre que o corpo se disforma e a barriga cresce e cresce, ainda assim, acreditam que o melhor do mundo é sentirem-se com “o rei na barriga” e a serem, logo desde aí... mães. E são corajosas quando o coração se encolhe e a cabeça as leva a tropeçar, sempre que um medo e mais outro sobre o bebé lhes atravessa, furtivamente, o pensamento, e o reconhecem como seu. E são corajosas quando se deitam e, despojadamente, em nome do bebé, se deixam observar, sem barreiras, por alguém que é estranho. E são corajosas quando acolhem a dor e guerreiam com ela e dão à luz. E são corajosas quando passam a primeira noite com um bebé, entregues a si próprias, numa maternidade, como se o céu começasse onde os seus medos se perdem de vista. E são corajosas quando pegam num bebé e o acolhem e, sem reservas, o aceitam. E o aprendem.. E são corajosas quando o conhecem, o adivinham e desvendam. E são corajosas quando pegam nele e, mesmo que não se reconheçam num corpo que é o seu, o amamentam e o seguram e sentem que o melhor de si se dá a quem se ama. E são corajosas quando o acalentam, quando o embalam e quando lhe cantam. E quando, apesar disso tudo, fazem de “anjo da guarda” e ninguém as protege dos seus próprios papões. E são corajosas quando passam o primeiro dia, a sós, com o seu bebé, entregues a si próprias e aos seus medos. E quando lhe mudam uma fralda atrás da outra e, logo a seguir, é preciso mudar-lhe a roupa toda, e quando tudo se repete centenas vezes, por muito tempo, delicadamente, de forma incansável. E são corajosas quando lhe pegam e, quando todos os outros receiam que ele se desmanche, o colocam no banho e namoram com ele, como se não houvesse nem tempo nem receios. E são corajosas quando acordam - muitas vezes numa noite, muitos dias por muitos meses - e, quando quaisquer outros seriam capazes de se rebelar, rabujar ou desistir, rasgam um sorriso, baixam a voz, abrem muito os olhos e são bondosas; outra vez. E são corajosas quando, mesmo que todos pareçam ruidosos, entretidos ou distraídos, sentem, telepaticamente, um filho antes, sequer, de mais alguém o conseguir escutar. E são corajosas quando pegam nele e em si e vão à rua, e contornam todos as barreiras que a vida lhes trouxe e todos os obstáculos que as cidades lhes põem e lhe dão mundo e sol, e buscam um comentário acolhedor sobre o bebé e um punhado de gestos que as encha de orgulho e de histórias onde devia estar, sobretudo, um olhar assustado ou um estar extenuado. E são corajosas quando, de coração destroçado, se separam dum filho, uma primeira vez, e o confiam a estranhos, para que lho guardem e o cuidem. E são corajosas quando ele chora, de aflição, ou sempre que ele se magoa e chama por ela e, por mais que queira um colo para o qual possa fugir, estrebucham, teimam e combatem, cuidam e protegem, e choram, finalmente, à noite, baixinho, muitas vezes, só para si. E são corajosas por todas as vezes em, pela “primeira vez”, se aventuraram sobre todas as coisas que não saibam que podiam ser mães e - sem pensarem, sequer - guardaram os medos e dão conta que se sentem derrotadas sempre que não as venceram. E são corajosas quando se esquecem que estão cansadas e quando, muitas vezes, desistem de perceber que tinham um “formigueiro” tentador para tirarem de “férias de mãe” ou lhes apetecia fugir para um canto onde ninguém as visse e chamasse por elas e, ainda assim, sem que ninguém repare (ou, mesmo, que as mime), são capazes de pôr um filho a desmanchar-se a rir; ou são capazes de brincar, desarrumadamente, a sério; ou inventam alma para as histórias, mesmo que as contem, vezes sem conta, “só mais uma vez”. E são corajosas quando não hesitam em ser mães por mais que se sintam pequeninas; cada vez mais pequeninas. E quando reconhecem, muito antes de todos os outros, os medos sem os quais nunca seriam nem sábias nem corajosas. Nem mães.

Se olharmos para tudo aquilo com que se faz o “amor de mãe”, se é preciso coragem, para mudar o mundo e insistir que ele tenha um rosto humano, é preciso mais coragem, ainda, para se ser mãe. Todos os dias! Mãe de verdade. Boa mãe!

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