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As madrastas são bruxas; claro...
E têm sempre más intenções

As madrastas são más, são vingativas e vaidosas. São falsas, são cínicas e são injustas e cruéis. Afinal, são... madrastas; não é? Por isso mesmo, não perdem uma oportunidade para considerarem (sobretudo) as enteadas como sonsas e manipuladoras em relação ao pai (que - nas histórias - é ausente, omisso ou, incuravelmente, “mole”). E não descansam enquanto não o “viram” contra elas. Como se nada disto já chegasse, as madrastas humilham as enteadas diante das suas próprias filhas. Só pelo prazer de as verem sofrer.
Se - nas histórias - as madrastas são sempre assim, como podem os nossos filhos, depois de as lerem, imaginarem a sua madrasta doutra forma que não seja como uma bruxa? Se somos tão cuidadosos com a forma como os protegemos das histórias onde os papéis feminino e masculino são mal apresentados, ou como o modo como os animais são retratados, por exemplo, porque é que somos (quase sempre) tão descuidados com a forma como deixamos que as madrastas sejam empurradas para um papel maléfico?

Ora, deixe-mo-nos de coisas! Começando pelo princípio, é muito difícil ser-se madrasta! Dividir o amor por quem se ama com a delicadeza de não “ocupar espaço” demais em relação aos filhos desse amor. E “contar até 10” diante de todos os desaforos (saudáveis!!) com que as crianças tentam entender se estarão diante da “amiga do pai”, da sua “namorada” ou dum amor que rivaliza com aquele que ele tem por elas. E dizer, com discrição e com ternura: “Atenção, ao Manel, que está triste”; ou: “Cuidado que andas a condescender em excesso com a Mariana”, e ficar-se por uma versão feminina do “homem invisível”, cuidando, cuidando e cuidando enquanto se faz um bocadinho de distraída. E fazer tão depressa de fixe e de cúmplice, e aproximar-se do papel de tia, divertida, ou, logo a seguir, obrigar a comer a sopa e a deitar a horas e aproximar-se da “Cruela”.
Que fique claro: as madrastas de hoje e as madrastas das histórias não têm nada a ver umas com as outras. É por isso que as histórias são injustas! Porque há muitas madrastas que se transformam em “entidades reguladoras” de pai sem as quais muitos pais não se transformariam em tão bons pais. E há imensas madrastas que são as verdadeiras “mediadoras familiares” entre o pai e a mãe duma criança sem as quais eles não conversariam. E há madrastas que são mais mães que muitas mães. Fará sentido, por isso, que continuem a ser bruxas quando, depois de muitas delas, com oito letrinhas, apenas, se passou a escrever a palavra mãe?...

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