Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no nosso website. Ao navegar neste website está a concordar com a nossa política de cookies.
Até eu, já nem me consigo ouvir
Dizem as mães em jeito de desabafo

O que faz com que as mães, quase com uma pontinha de orgulho, se considerarem a si próprias como: "Eu sou a chata lá de casa", não deixa de ter o seu quê de mistério, por mais que todos reconheçamos que as expectativas de carreira tenham para cada um o seu quê de muito pessoal. Que, de vez em quando, as mães atropelem o som bucólico do chilrear da criançada com um agudo, estardalhaçante, do género: “Quem é que deixou este iogurte em cima do sofá?!!!!!...” uma pessoa até entende porque, afinal, todos temos "os nossos dias" e não são só as crianças que, por vezes, acordam “com os pés de fora”: Que as mães façam de sargentão e, mal uma criança põe o pé dentro do carro, a submeta a um inquérito cerrado do género: "Correu bem o dia?", "O que é que foi o almoço" e "Tens trabalhos de casa?", afinal, até tem o seu charme, porque sem isso uma criança não repetia tantas vezes: "Não sei", unicamente para lhe dar a deixa que faz com que ela acabe com o seu hino à desenvoltura com mais um: "Mas não sabes, como?", que leva a que, desde sempre, as mães estejam na primeira linha da luta contra o Alzheimer, só lhes fica bem. Mas que a maioria das mães reconheça: "Até eu, já nem me consigo ouvir", é que já não fica muito claro nos seus porquês… porque haveria sempre a hipótese das mães perguntarem a si próprias: "Então, porque não te calas?" ou qualquer coisa deste género. Mas não! Porque no momento que se segue a esse desabafo já as mães avisam, advertem, ralham, aborrecem, importunam, zurzem, irritam e ameaçam (uff!!!) o que faz com que elas se cansem só de se ouvir. Mas será que as mães vêm todas equipadas com pilhas da Duracell ou nasceram com veia de velocistas, ou coisa assim? Uma pessoa gosta das mães assim, claro. Até concorda que, sempre que elas andam muito caladas, é porque estão doentes. Mas não era altura de reconhecermos que se até elas já não se conseguem ouvir, o que é que esperam que um filho faça: que as oiça pelos dois? E não será feio que se exija a uma criança aquilo que até uma adulta tão premium como uma mãe não consegue fazer?… Não há direito; é o que é!

subscreva