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Carta d'O direito dos pais a amar
Se não resmungaram e não se desapontaram nos últimos dias com os vossos filhos, precisamos de conversar!

1. É urgente que os pais escutem as crianças, mas que decidam por elas. Pais presos na sua própria infância não são pais: são crianças à procura de colo. Não educam nem são educáveis. Replicam os erros e os enredos que os atormentaram toda a vida.

2. É urgente que os pais admirem os filhos - o seu engenho, o lado afoito que eles têm (que se renova, todos os dias) e a sua mais versátil manhosice - mas que não percam de vista que só a sabedoria dos pais os legitima para amar (e que a ela nunca se chega sem dúvidas, sem dilemas entre gestos de sentido contrário e sem contradições).

3. É urgente que os pais olhem nos olhos, quando falam com a voz e com as mãos, ao mesmo tempo. E que chorem, sempre que lhes apeteça. E que não rezinguem e se lamuriem. Que façam uma ou outra birra e, sempre que querem mimo, que intimem (sem mais explicações) um filho a dá-lo.

4. É urgente que os pais dêem colo todos os dias. E que falem todos os dias. E que abracem e beijem. Todos os dias! Que se sentem no chão e que sejam. E que contem graçolas. Todos os dias.

5. É urgente que os pais, quando não têm nada para falar, não perguntem como correu a escola. E que sempre que não percebem ou gostam dum desenho não digam que ele é lindíssimo. 

6. É urgente que os pais, quando sentem que uma criança está mais ou menos triste, fiquem proibidos de fazer outra coisa que não seja apertá-la (caladinhos!) com muita força, 10 minutos. Pelo menos.

7. É urgente que os pais sejam tão reivindicativos enquanto pais como eram quando filhos. E que, apesar disso, sejam eles a Lei. E que exijam que as crianças participem, todos os dias, nas tarefas da casa (sem os quais as crianças vão de principezinhos a pequenos ditadores).

8. É urgente que os pais não estejam sempre de acordo, entre si, em relação a seja ao que for. Os conflitos dos pais são os melhores amigos de todas as crianças porque é com eles que os pais soltam a intuição e as convicções e deixam cair tudo aquilo que, parecendo compenetrado, não tem nem entusiasmo, nem alma, nem magia.

9. É urgente que os pais falem sobre os filhos, que desabafem sobre os seus medos e que compartilhem as suas dúvidas mais ridículas. E que percam a vergonha de se orgulharem com as habilidades das crianças e de reconhecerem que se sentiram no céu ao serem lambuzados... com um beijo. 

10. É urgente que os pais reconheçam que jamais deixam de ser filhos e de ser pais. E que se não tiverem tido, vários dias, em que resmunguem contra os filhos e se desapontem com eles é porque os estão a educar à margem da sensibilidade e da fantasia, do afecto e da sabedoria. E, se for assim, terão de ler estes 10 mandamentos mais uma vez.

 

 

*Texto em repositório com edição especial para a sua versão digital

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