Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no nosso website. Ao navegar neste website está a concordar com a nossa política de cookies.
De quanto tempo precisam as crianças para crescerem saudáveis?
Vamos fazer contas?

As crianças têm vindo a perder muito tempo de infância, nos últimos vintes anos. E nesse mesmo tempo, terão perdido 8 horas de brincar, por semana. Por outro lado, as crianças têm vidas cada vez mais agitadas e mais sedentárias. E, considerando a sua actividade motora, elas acabam por bater palmas, abotoar, correr, saltar à corda, bulhar, andar ao pé-coxinho, andar de bicicleta, jogar à macaca ou saltar a pés juntos, cada vez menos vezes (e, cada vez mais tarde). Como podem elas não ter actividade motora e aprender a ter controle motor, a aprender a escrever ou a ter atenção ou a ser expressivas e claras? Mas isto parece não ser uma coisa que nos preocupe, a todos, como pais. Como se não fosse já muito preocupante, a par duma actividade física cada vez mais pobre, o contacto com os outros (o “mundo”), a educação estética, a relação com a fantasia e o acesso à palavra - que são absolutamente indispensáveis para o seu desenvolvimento saudável - não são entendidos por nós como indispensáveis para o desenvolvimento cognitivo e para a saúde mental. E sem esses componentes, por mais que as crianças sejam inteligentes, “atrofiam”, acumulam “atrasos de desenvolvimento” e adoecem, devagarinho.

Mesmo tendo em conta a importância de todos estes factores, e considerando, agora, os brinquedos, as crianças parecem ter muitos brinquedos e pouco brincar. E  os brinquedos parecem ser mais um pretexto para que os pais tenham mais tempos livres e para que não brinquem, mais vezes. Se o principal “equipamento” de que elas precisam para brincar é o tempo livre, como podem as crianças ter tempo livre sem se baralharem quando não são ensinadas a ser autónomas e vivem, sobretudo, “presas”? De forma mais clara: quanto tempo livre tem o seu filho, por dia, não considerando as horas em que está no jardim de infância ou na escola (ou noutros compromissos “extra-curriculares”) e as horas que ele passa a dormir?

Por tudo isto, é muito importante que lhe deixe um brevíssimo conselho, assumindo um dia normal do seu filho. Se puder ajudar, tome em consideração que o seu filho, para que tenha um desenvolvimento saudável, precisa de ter, todos os dias:

1 hora de actividade física;
1 hora de contacto com o ar livre;
2 horas de tempos livres e de brincar;
6 horas, no máximo, de actividade escolar;
9 horas de sono;
1 hora para o jantar (de preferência, com os pais);
1 hora para para o acordar (levantar, vestir e tomar o pequeno almoço);
30 minutos depois do jantar (para andar “por ali”);
E 30 minutos para conversar com ele, antes de adormecer, ou para contar uma história.

Imaginando que a escola dê, inequivocamente, ao seu filho a actividade física diária de que ele precisa, e que a essa hora se juntem as duas horas que faltam para chegarmos às 24, sobram três horas, em cada dia, para que ele vá de casa para a escola e volte. Para que ele passe pelos avós, para lhes dar um beijo. E talvez ainda sobre um pequeno espaço diário para uma actividade desportiva e para a música. Enquanto não fizer as contas desta maneira, por mais que o ame perdidamente, o seu filho pode estar a ser privado da infância de que ele precisa para que cresça saudável.

subscreva