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E, entretanto, devemos falar-lhes do que se está a passar ou evitar, simplesmente, que eles vejam as notícias?
a vida em estado de sítio: 8

Falar-lhes. Não lhes falar demais, claro. Mas falar-lhes; sempre. Até porque não temos forma de os fechar numa "espécie" de bolha que os afaste de tudo aquilo que se vai passando. E porque eles nunca estão distraídos. Apanham "no ar" todas as notícias com que somos "bombardeados". Reparam nalgumas passagens dos debates televisivos. E percebem muitos dos comentários que fazemos, "entredentes". Ou os nossos suspiros, as nuvens do nosso olhar ou os "à-partes" que acabamos por fazer num ou noutro telefonema. E, sim, para eles também é demais estarmos todos "a falar" de morte, desde o pequeno-almoço até à hora de nos irmos deitar. Aliás, à escala do que elas são capazes, as crianças estão a fazer um esforço "hercúleo" para se adequarem àquilo que os pais desejam que elas façam. Não estão tão "inflamáveis" como temíamos. Parecem estar a ocupar um bocadinho menos de espaço do que supúnhamos que acontecesse numa circunstância como esta. Nem ficam tão "eléctricas" como nos fins de semana em que as temos fechadas. Mas precisam de nos ter a pôr algumas "legendas" nisto tudo. Porque pais que não falam são portas que se fecham.

É claro que, à medida que o tempo passa, e não têm nem a sua vida social nem as suas rotinas habituais, os nossos filhos vão (precisar de) ficar mais impacientes. Mas nem aí eles precisam de nos ter a trabalhar para os termos entretidos, o tempo todo. Mas ganham se nos tiverem - um bocadinho de manhã, um bocadinho à tarde - só para eles. Num brincar sem agenda. E sem direito a telefone, televisão ou outras "interferências".

Seja como for, o mais importante é que não perca de vista que eles andam muito assustados. E, sem que o perguntem, a questão que têm "em cima da mesa" será: e, agora, com isto a acontecer, os meus avós e os meus pais podem, também eles, morrer? Não lhe responda coisas que comecem com: "Um dia; daqui a muito tempo...". 15 dias, à escala dos tempos de uma criança, já é uma "eternidade". Mas não deixa de ser "logo ali". Logo, a perspectiva disso acontecer dentro de "15 dias..." não é simpática. Aliás, prepare-se para ter o seu filho "eruptivo" se ele apanhar uma notícia a partir da qual imagine um cenário como esse. Ainda assim, mal desconfie que esse medo que acende uma "luzinha" dentro dele, não fale... demais. Chegue-se para o seu filho. Aperte-o, de forma aconchegante. E deixem-se estar assim. Até que lhe apeteça. Os medos dão-se mal com calor dos abraços... E escapam-se, rapidamente, para uma brincadeira onde "os maus" acabam sempre por perder.

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