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Eu sei... A culpa é toda minha!
Reconhece esta "actividade"?

Há uma actividade que fica entre o crossfit e o desporto radical, que todas as mães parecem praticar com um afinco de atletas. Sem tréguas, sem um pingo de cansaço e com alma de campeãs! Que as torna disciplinadas, exigentes e versáteis. Chamada: "Eu sei... A culpa é toda minha!".

Uma actividade como esta, tão exigente como ela é, não necessita de um ginásio nem de um personal trainer. Nem, mesmo, de aulas em grupo. Requer um filho, claro. Por mais que a idade não represente um obstáculo à sua prática diária. E, em termos técnicos, é razoavelmente elementar. Passa-se mais ou menos assim: um filho esfola o joelho, na escola, e desfaz-se em lágrimas quando a mãe o vai buscar. E de quem é a culpa? Do piso do recreio? Da bulha da criançada? Da distracção dos responsáveis? Não. "A culpa é minha! Porque devia tê-lo vindo buscar mais cedo..." Uma criança usa chucha em idades mais ou menos impróprias ("mas é só para dormir!") ou insiste em ser adormecida todas as noites ou "ela não faz os trabalhos de casa se eu não estiver por perto…". E de quem é a culpa? "Eu sei... A culpa é minha". Um filho, por mais que seja (saudavelmente) "senhor do seu nariz", passa muitas vezes do "risco" e roça a insolência, quando o pai faz um aceno de assentimento muito pouco solidário (do género: "Eu não te dizia?!…") como é que se remata a conversa? Assim: "Eu sei... A culpa é minha...".

Longe vão os tempos em que, fosse o que fosse que acontecesse na saúde mental duma criança, havia sempre alguém que insinuava que a culpa era da mãe. E isso era mau e era injusto. E, talvez por isso, caiu em desuso. Ou, talvez tenha deixado de ser preciso. As mães passaram a encarregar-se do resto…"A culpa" - que as mães reclamam, todos os dias, intimamente, para si - só é possível porque elas são bondosas. E preocupadas. E tão exigentes consigo próprias que imaginam poder estar, ao mesmo tempo, em todos o lugares. E porque fantasiam, lá no fundinho de si, que, mesmo à distância, sentem, intuem e adivinham aquilo que se passa com os filhos. E só é possível porque - como elas estão tão habituadas a prever, a prevenir e a precaver - reclamam sempre os dotes do seu "dedo que adivinha" para evitarem, de forma infalível, aquilo que magoa, incomoda ou ameaça uma criança.

Mas se a mãe já é divina e mágica, quem é que, no seu bom senso, lhe pode exigir mais? Eu sei... Só mesmo a própria mãe. Sempre que não dá tréguas a si própria. Sempre que se “repreende” por ter vida própria, aos bocadinhos. E imagina que mãe, que é mãe, nunca se cansa, não adoece, nunca esmorece nem se distrai. As mães são assim! Cansam... Só de as vermos "treinar".

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