Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no nosso website. Ao navegar neste website está a concordar com a nossa política de cookies.
Família: o verdadeiro património
Reserva das imperfeições humanas

Não é verdade que a família seja quem nos dê mais lonjura ao pensamento. Nem quem nos eduque. Nem é verdade que nos dê mais compaixão, mais humor e mais ternura. E mais reconhecimento. Eu acho que as famílias nos tornam, muitas vezes, muito infelizes. E são mais amigas da dor do que deviam. Começando pelos pais. Quando desconhecem os filhos, por exemplo, e desistem de os conhecer, tornando-os estranhos, para si próprios, ao mesmo tempo. E quando nos encaminha para tudo aquilo que a deixa mais sossegada, mesmo que, com isso, o nosso futuro parecesse nunca aceitar pessoas imperfeitas. E quando não nos interpela, pondo em palavras tudo aquilo de que fugimos de pensar. E quando alguém por ela confunde a sua com a nossa vida. Ou nos deixa sozinhos como se, com isso, respeitasse a nossa singularidade, quando o que nos dói é, unicamente, a solidão. E – muito pior – muitas famílias tornam-nos desfelizes, que é assim uma forma de não sermos nem felizes nem infelizes, mas somente «assim-assim». Como se os nossos sonhos fossem, dessa maneira, um pequeno «tanto faz!».

subscreva