Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no nosso website. Ao navegar neste website está a concordar com a nossa política de cookies.
Filhinho querido
a vida em estado de sítio: 28

Os nossos filhos têm todos a "mania" de achar que quando não somos tão imperativos quanto eles imaginavam que devíamos de ser para um irmão, estamos a ser parciais. Tendenciosos. Mesmo injustos, até. Porque - acham eles - o irmão, que não mereceu o nosso reparo, é o "filhinho querido" de quem o repreendeu. O "menino da mamã". Ou do papá. Reparem no tom de quem protesta e na forma como diminui o irmão: "filhinho"! Que, aos olhos dos lesados pela zanga dos pais, é uma forma de vincar uma aragem depreciativa em relação a um irmão. Que é de uma eficácia fora do vulgar! Porque, como sabem, nos leva a argumentar, quase ofendidos: "Tu não digas isso!". Como nos empurra para todas as justificações que entendemos dar a uma "beliscadela" com esse calibre de demagogia. E a perguntar-mo-nos (1000 vezes!) se estaremos a ser injustos.

Ora, os nossos filhos só acham que um dos irmãos é o "filhinho querido" de um dos pais porque, no fundo, cada um deles “desconfia” que a mãe ou o pai têm, em relação a um pormenor do seu próprio comportamento, um certo "fraquinho". Que é uma maneira de acharem que podem não ser, propriamente, em quase tudo, os "filhos queridos!". Ou os "preferidos". Mas que não deixa de existir uma certa "inclinação" de um dos pais em relação a si. Porque se identifica com alguma das suas qualidades, por exemplo. Que é uma forma de "desconfiar" que a mãe ou o pai gostam (um bocadinho!) mais de si que dos irmãos. O que, valha verdade, só é possível porque, de forma espontânea e muito pouco premeditada, acabamos por ser capazes de gostar de cada um dos nossos filhos como se fossem filhos únicos. (E são...)

Acontece que, se é verdade que os nossos filhos acabam todos por lutar pelos nossos "fraquinhos", esta altura de confinamento acaba por ser amiga de outros "picos" de fúria em nossa casa. Porque estando todos, tanto tempo, tão juntos, como temos estado, esta luta, em nome dos nossos "fraquinhos" vai dar origem a algumas atribuições do género: "filhinho querido!". E, apesar de nos colocar em modo "respira fundo", que orgulho que isso nos devia merecer!

subscreva