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Gostas mais da mãe ou do pai?
Da mãe, claro.

Da mãe, claro. Mas alguém tem dúvidas? A mãe, por exemplo, não. "Eu sei que ele gosta tanto do pai como de mim. Mas, quando o meu filho está com os avós, se não tiver mais saudades de mim, eu juro que fico zangada. Pronto (faz um olhar envergonhado); fico mais... triste. (Já recomposta...) Mas eu tenho a certeza que ele gosta mais de mim!"

Eu sei que isso não se pode dizer, claro: mas os filhos gostam mais da mãe do que gostam do pai! Aliás, um pai precisa de ter um coração enorme e um "bom perder" sem fim à vista, para aceitar que, quando uma criança se aleija, chame pela mãe. E quando se assusta, se aninhe ao colo... da mãe. E quando quer falar de todos os colegas da escola, e tratá-los pelo nome, fale... com a mãe. E que guarde as conversas mais sérias, daquelas que só se têm no banho, sobretudo para... a mãe. E para aceitar que, por cada 50 "Tu és a melhor mãe de sempre!" haja só 10 de "Pai?!… Adoro-te muito!".

As crianças gostam mais da mãe porque ela trabalha, todos os dias, para que elas gostem mais da mãe! E como ela acumula, desde sempre, mais e mais créditos, as crianças amam o pai; adoram-no (quando se trata dele fazer de leão e se põe a rugir, ou quando ele abre muito os braços, enquanto corre e as apanha, e fica terrífico e assustador); e quando acham as cavalitas dele uma verdadeira penthouse; ou quando faz que as atira ao ar e parece ser forte como mais ninguém; e, sempre que se zanga com os outros, ele parece capaz de meter medo ao medo. Mas mãe é mãe. Que é uma forma minimalista de se reconhecer que as crianças gostam mais dela. Sem que digam isso com os pontos todos nos is para que ninguém se melindre.

E isso é mau, pergunto eu? Não! Esta ideia de quanto mais formos "politicamente correctos, melhor", é boa para quem? As crianças começam por gostar muito mais da mãe que do pai; é verdade. E, do ponto de vista do "cliente", as crianças têm toda a razão. Elas têm, regra geral, muito mais mãe, desde o primeiro momento, do que têm pai. E essa mãe é imbatível! Mas ao crescer e se o pai trabalhar, todos os dias para isso, as coisas ficarão mais equilibradas; claro. Mas, sempre que são pequeninas, por muito que tenham a delicadeza de não o afirmarem de forma explicadinha, as crianças gostam mais da mãe.

Quando falo destas coisas, lembro-me sempre duma criança a quem os pais, por brincadeira, perguntavam, vezes demais: "Gostas mais da mãe ou do pai?". E, porque ela não respondia, eles insistiam e insistiam. Até ao dia em que lhes respondeu: "Gosto mais dos crocodilos!". Os pais ficaram tão chocados que não voltaram para as perguntas tolas. E ele continuou, como todos nós, a ter a sua preferência, mais ou menos secreta, por um dos pais. A verdade é que, pela vida fora, nós não gostamos sempre, da mesma forma milimétrica, da mãe e do pai. Vamos gostando mais de um... Portanto, não é pelo facto das mães partirem à "frente" que elas serão a pessoa de quem mais se goste, pela vida fora. É claro que isso ajuda. Mas o pai que se amanhe. Que trabalhe, todos os dias, para ser tão mágico e tão sagrado como a mãe consegue ser. E, então sim, não há crocodilos que lhes cheguem!

 

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