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Mãe, onde é a casa dos maus?
Eles têm uma casa?

- Mãe, onde é a casa dos maus?

A mãe acha que tu queres saber em que sítio é que vivem os maus. Se têm uma mãe e um pai. E um quarto com o homem-aranha. E uma tartaruga chamada Lego. E um beliche onde eles durmam na cama de cima para que, de noite, quando os maus deles aparecerem, escuro-adentro, eles não reparem em quem está mais alto… É mais isso, não é? Claro que faz todo o sentido que os maus tivessem uma casa. E que todos soubéssemos que "ali" viviam os maus. Assim, uma pessoa, sempre que fosse a passear, mais ou menos distraída, só mesmo se tivesse muita vontade de maus, é que - "(Truz, truz) Olá! Boa tarde. É aqui que vivem os maus?" - depois de lhes bater à porta, esperava que eles a convidassem para entrar. Isto é: em vez dos maus aparecerem de surpresa, para nos magoarem, e ficarem à solta, dentro de nós, seríamos nós que íamos à procura deles. E só se nós apetecesse!

O que a mãe acha que te está - mesmo! - a incomodar é que, se os maus têm uma casa, é porque têm uma mãe e um pai. E, se é assim, porque é que são maus? (É mais isto, não é?...) Se calhar é por os maus não terem um sítio que seja só seu que andam sempre a tentar aninhar-se, nem que seja por um bocadinho, dentro de nós. Hoje, aqui. Amanhã, ali. E, se for preciso, um dia destes, nas tuas birras ou no mau génio da mãe.

Se calhar, agora que penso nisso, talvez os maus só sejam maus porque, afinal, não têm uma casa. Talvez sintam que não têm ninguém que os aconchegue e que os guarde, e que lhes conte histórias e os sossegue, e os ame "à séria" assim como a mãe e o pai e os manos te amam a ti. Os maus só nos pregam aos sustos porque têm um bocadinho de inveja por termos o amor que lhes falta. Seja como for, a nossa casa tem paredes e portas e coisas assim, claro. Mas escuta-me, bebé, a tua casa é o coração da mãe e do pai. E os maus, aí, nunca conseguem ficar. É mais ou menos assim. Percebeste?…

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