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Mas porque é que "a minha mãe" não pode ser "a minha namorada"?
Reclamação de pai

Chega! Deixei de achar graça ao meu filho quando, sempre que dou uma festinha à sua mãe, vem de lá numa versão de “entidade reguladora”, tira a minha mão de cima da da mãe, e repreende-me com mais um: "Pára!!!! A mãe é do bebé!..." O que é mais grave é que, quando eu reajo, e cheio de determinação, lavrando um protesto, lhe digo, à “menino birrento”: "A mãe é do papá!", ele (talvez por ser bebé, claro) faz que não entende e estamos ali um belo espaço de tempo a teimar um com o outro: "É do bebé!"; "Não! É do papá!". "Do bebé!"; "Do papá!". "Bebeeeé!!!!"; “Papaaaá!!!!”. E, no final, depois de nos pormos aos gritos, ganha ele. Sempre! Porque o “árbitro” nunca está do meu lado. Por outras palavras, eu acabo, de todas as vezes, a ser repreendido pela mãe do rapaz. Mais ou menos assim: “Mas, afinal, quem é a criança aqui?…” ("Ele!" - balbucio, em surdina, para que o árbitro não ouça). E assim se começa um domingo, de forma pachorrenta, no sossego da família e na harmonia do lar. Só não percebo porque é que um cidadão de dois anos - que todos insistem (incompreensivelmente!) a achar que é um bebé - tem de começar o dia a ter sempre a última a última palavra. Às vezes, não tem graça nenhuma chegar ao domingo e ter um pingente, na sua versão de agente da autoridade, a dizer-me: “Senhor condutor, mexa-se, se faz favor. Nesse local é proibido parar ou estacionar.” E eu, qual “rei leão”, o que é que eu faço? Insurjo-me contra a autoridade? Reivindico o meu direito à indignação? Nada disso. Ponho-me a mexer. E calo-me; claro. Só não percebo mesmo porque é que, nem ao domingo, “a minha mãe” não pode ser “a minha namorada”...

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