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"Não porque não!"
Um clássico que se mantém entre as expressões dos pais

O "Não porque não!" de hoje e o "Não porque não!" de há uma geração têm pouco a ver. É claro que, do ponto de vista da forma, são iguais. Mas em relação aquilo que querem dizer são muito diferentes.

Há uma geração, a educação era, seguramente, mais austera. Sem dúvida, mais autoritária. Mais distante. Menos comprometida com os exemplos que os pais davam, todos os dias. E muito pouco implicada a ter, da parte duma criança, uma concordância tácita em relação aos nãos dos pais. Daí que o "Não porque não!" servia para que os pais jamais se dessem ao trabalho de explicar um “Não!”. E com isso seriam, muitas vezes, prepotentes.
Hoje, a educação é, incomparavelmente, mais democrática. Mais acolhedora. Mais desejosa de criar uma autoridade igual para todos só que uns a exercem e os outros a sufragam. Daí que o "Não porque não!" surge, muitas, depois de se terem explicado muitos "nãos", talvez vezes demais. Sendo assim, o "Não porque não!" quer dizer que os pais chegam a um limite em que, com um "Não" mais impetuoso, esperam que uma criança os compreenda. Mais do que os tema.

Há uma geração, o "Não porque não!" representava, sobretudo, uma afirmação autoritária dos pais. Mesmo quando os seus exemplos e aquilo que eles exigiam não coincidissem em nada.
Hoje, o "Não porque não!" quer dizer quase completamente o contrário. Estamos tão convictos dos nossos exemplos e tão certos da justiça das nossas exigências que entendemos não ter de explicar um não. Porque o que somos explica aquilo que exigimos.

Há uma geração atrás o "Não porque não!" gerava medo - muito medo - e a insegurança de, ao desafiá-lo, virem represálias furiosas da parte dos pais.
Hoje, o "Não porque não!" gera receio. E espaço para perguntar "Porquê?" ou para reclamar que "Não é justo!". Mesmo quando se reconhece justeza no acto de exigir.

É claro que nenhuma criança do mundo gosta de ser contrariada. E que, ontem como hoje, o "Não porque não!" nunca mereceu reacções entusiásticas por parte dum filho. Mas enquanto o “Não porque não!” era tudo aquilo que separava os pais dos filhos, o "Não porque não!" de hoje aproxima-os. Sobretudo quando põe algumas regras nalguma "anarquia" que o excesso de explicações ajuda a criar.

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