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Nunca mais é sábado!
Somos pais, mas não somos de ferro

É verdade que sermos pais não é bem um trabalho; é um estado de espírito. E que, por isso mesmo, ninguém define ou aceita um contracto colectivo, um horário laboral ou regalias sociais que regulamentem e enquadrem a função dos pais. Nem  quem lhes permita declarar como horas extraordinárias as vezes em que, às tantas da noite, se levantam a meio de mais um pesadelo de um dos seus pimpolhos e, entre gritos estridentes, respondem cheios de doçura a veis de ruído que colocam em perigo a sua saúde. Nem, por tudo isso,  apólices que segurem a actividade dos paiscontra terceiros”, por mais que eles fiquem feitos em fanicos com a gritaria da criançada durante as longas horas de um fim de semana.

Mas o devíamos s, como qualquer trabalhador cioso e empenhado, merecer a dedicação duma equipa especializada, unicamente, em higiene e segurança no trabalho... dos pais? Por acaso alguém se preocupa com os pais, por mais que todos concordem que o ruído é a terceira causa de poluição do mundo? E alguém se lembra que o choro estridente duma criança pode ir até aos 110 decibéis, o dobro do ruído de um aspirador, tanto como aquele que tem uma buzina e um pouco mais que a barulheira duma sirene ou duma motosserra, por exemplo? E será que  quem nos proteja de, com exposições o repetidas a veis de ruído dignas das trovoadas ou do rockda pesada”, o ficarmossurdos como uma porta” (que, ao contário do que parece, será umadoença profissionalque assola os pais, visível quando as crianças gritam, umas com as outras, no tio  de casa, e nós agimos como se isso fosse um simples chilrear)? E haverá quem se preocupe que com 30 minutos de um ruído estridente, de choro com alma ou de simples gritaria, se podem causar tantos danos como aqueles que teríamos se estivéssemos com alguém, ao nosso lado, alto e bom som, perdido de amores por uma vuvuzela? E, depois, ainda  quem se admire que a mãe levante a voz com mais um: ”Vocês o me queiram ver virada do avesso!” (fazendo coaching familiar, é claro), e que ela fique rouca, com os nervos, tal é a exigência de tanta voz de comando! Como pode uma mãe continuar, com brio, a terouvido de sicadiante da verdadeira montanha russa de experiências radicais que o dofoi ele que começou”, gritado aos seus ouvidos, aoo gosto desta sopa!” com que as crianças, “fofinhas”, nos brindam, ao jantar? E como -de um pai, coitado, ser outra coisa que não sejaduro de ouvidose, por mais que tente cultivar o som do silêncio, enquanto se perde nas notícias ou nos mails, tem as criançasde volume no máximoe a e da miudagem esganiçada, a gritar, ao despique: “Mas quantas vezes é que preciso de vos dizer para estarem calados!?...” 

s somos pais mas o somos de ferro! Sabemos que as fontes sonoras o dispositivos que emitem um som. E que o ruído é uma vibração mecânica de um meio acústico. Mas a gritaria das crianças, ao fim de semana, traz-nos um excesso de fontes sonoras e umahora de pontade dispositivos que emitem sons e vibrações que nos põema cabeça em águae nos deixam a suspirar por segunda-feira! Que no meio disto tudo ninguém, no seu perfeito juízo, nos exija que se continue a dizer a um filho: “Sou todo ouvidos?...” ainda se entende. Mas que, mal comece a semana, os pais, pensando nas crianças, levem os dias todos a dizer que nunca mais é sábado, suspirando por -las aos pulos, como pintainhos, à volta de si, não se percebe. Então, e a poluição, senhores?… E isso de sermos amigos do ambiente? Não devia contar?…

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