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O meu pai é meu!
Só meu!

O meu pai é tão grande - mas tão grande, mesmo! - que, quando estica os braços, e eu o olho de baixo, o meu pai é crescido e crescido. Tão crescido que parece nunca mais acabar. Eu acho que o meu pai é um arranha-céus!

O meu pai é tão forte - tão forte, de verdade! - que, quando eu tenho medo de dormir, ele me diz para eu não me assustar. Que, se for preciso, ele vai buscar “os maus”. E os agarra pelo pescoço. E abre a janela. E os atira pela longe para eles nunca mais terem coragem de me assustar!

O meu pai é tão engraçado - mas tão engraçado! - que eu chamo-lhe pateta e tudo! O meu pai faz caretas e carantonhas. E faz um rugido de leão (que me assusta!). E corre atrás de mim, com voz de dinossauro. E, depois, agarra-me e diz: “Vou-te cooooomer!”. E, depois, atira-se para a cama, comigo de olhos fechados (quase sem respirar!), e faz-me cócegas e cócegas. E eu grito por socorro. E acabamos cansados de rir.

O meu pai é tão um bocadinho mágico - mas tão um bocadinho mágico! - que quando eu rasgo uma das minhas revistas ele cola-a. Sem ninguém ver. E sempre que eu estrago qualquer coisa, chego-me a ele, faço “beicinho” e ele arranja. O meu pai é um verdadeiro consertador!

O meu pai é especial - mas tão especial! - que, quando se senta comigo no chão, a ver desenhos animados, eu aconchego-me na barriga dele. Às vezes, eu sinto que o meu pai parece estar sempre um bocadinho perdido nas histórias. E quanto mais me arrepio, e me agarro (cheio de medo) à sua camisola, mais eu descubro que ele, afinal, está... a dormir.

O meu pai é tão meu amigo - mas tão meu amigo! - que, quando a mãe me ralha por causa das bolachas ele olha para mim e fala com os olhos. E depois, muito devagarinho, diz à minha mãe: “Vá la! Deixa comer...”. E, depois, a mãe ralha com ele. E eu, fico muito encolhido, no meu cantinho, a saborear cada pedaço. Contente! Muito contente. Por ele ser tão querido para mim.

O meu pai é, também, um tudo-nada - mas só um tudo-nada! - desajeitado. Assim como eu! Eu acho que ele não faz de propósito. Mas o meu pai também espalha migalhas. E faz, todos os dias, um esforço daqueles, para não pôr uma nódoa na camisa. Mas, tal como eu, ele não consegue. Mas por nada deste mundo eu trocava este meu pai por outro algum.

O meu pai é tão meu pai - mas tão meu pai! - que (eu não sei bem como é que isso faz) eu gostava muito de, um dia, ser um bocadinho pai. Assim como ele.

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