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Os pequenos-grandes líderes
Será?

É cada vez mais frequente que os pais e os professores identifiquem algumas crianças como líderes. E fazem-no, habitualmente, com um sorriso de condescendência que atribui a esse "vício de liderança" o estatuto de uma inequívoca qualidade. "O António é um líder... nato" ou "O meu filho é um líder!" tornaram-se expressões frequentes. Tudo sem assombro e com naturalidade. Como se o "espírito de liderança" (ou o "carisma") fosse uma característica com a benção da biologia ou com "pózinhos" da genética. O que pressupõe que há crianças que nascem com o “destino marcado”. E que o destino de algumas será liderar as outras. Por outras palavras, uns nascem para mandar e outros para obedecer.
 

Ora, eu entendo que as crianças com o "nariz empinado" ou com "mau feitio" são crianças saudáveis. Porque, por mais que sejam “bons miúdos”, foram bem-amadas o suficiente para serem transparentes em relação aquilo que sentem e afirmativas a propósito do que desejam. Mas este será, digamos assim, "o limite" para sermos prudentes em relação ao desenvolvimento de uma criança. Até porque os "pequenos líderes" não o são porque formulem problemas como mais ninguém ou que se expressem com tanta eloquência que desbravem os caminhos que outros percorram. No jardim de infância ou no primeiro ciclo, por exemplo, os líderes correm o risco de ser crianças tão habituadas a ter ascendência sobre os pais (e, eventualmente, sobre alguns professores) e a "mandar" um bocadinho neles que correm o risco de resvalar para que se transformem, a prazo, em crianças tão "senhoras de si" ou com tamanha "auto-estima", que não estimam mais ninguém. E que se podem tornar insolentes, mandonas e até, mesmo, prepotentes. Ou seja, aquilo que, aos 4 e aos 5 anos, até pode parecer ter graça aos 7 e aos 8 não tem graça nenhuma.
 
As crianças-líder são crianças que, habitualmente, têm sobre os seus ombros uma certa anulação dos pais quando se trata de lhes definirem regras e limites. Ou têm como "missão" ter a "capacidade de afirmação" que os pais nunca terão tido. Ou que repetem, junto dos amigos, aquilo que vêem nos pais. Etc. O que importa é que quando uma criança parece precisar de persuadir as outras crianças, ou ter de mandar nelas, para se sentir bem, talvez seja muitíssimo menos segura do que parece. Porque quem parece precisar muito dos "sins" dos outros talvez não saiba bem o que há-de fazer com os nãos que "a vida" ou que mais alguém lhe dê. Talvez viva "espartilhada" com exigências ou com expectativas. Porque sem nada disso não se sente criança. E isso é mau!

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