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Os pica-miolos
Seres com capacidades extraordinárias

Entre a imensa diversidade de seres vivos que habitam na Terra, os pica-miolos são uns pequenos exemplares - vivos e incansáveis - que, ao contrário de muitas outras espécies, em vias de extinção, parecem adaptar-se às mais diversas condições do clima e às oscilações de temperatura de todas as estações. E chegam a tornar-se tão temíveis que, nalgumas circunstâncias, parecem, a espaços, ser um motivo de algum alarme para muitas famílias.

Ao contrário daquilo que o seu nome quase sugere, os pica-miolos não são nem aves nem têm qualquer semelhança morfológica com o pica-pau. Embora partilhem com ele uma energia quase inesgotável que não lhes permite desistir de qualquer barreira que os separe dos seus objectivos. O que faz com que as mães destes pequenos seres desabafem, desoladas, umas com as outras, que eles parecem ter uma capacidade fora do vulgar para as "vencer pelo cansaço".

Como as qualidades que mais os destacam não passam pelos seus atributos físicos - os pica-miolos são muito mais pequeninos que a grande maioria dos seus "adversários" - eles parecem apurar, todos os dias, qualidades de "mentalistas" que fazem deles uns vencedores. Os pica-miolos são mestres na arte de atazanar! E uns verdadeiros gladiadores quando se trata de utilizarem "armas" que fazem tremer de medo qualquer atitude mais insegura. Como quando perguntam "porque é que eu não posso?", de manhã até à noite. Ou quando utilizam uma mistura endrominante (mesmo infalível!) como "Mas... porquê?...", com uma voz doce, que leva a que qualquer a adversário se renda ao fim de alguns minutos. Só para não os ouvir!

Aliás, o "jogo psicológico" dos pica-miolos é digno dos maiores mestres do disfarce. Quer quando eles dizem "Só hoje...", um ror de vezes, com o olhar desamparado de um cachorrinho abandonado. Ou quando chegam às duzentas vezes com o seu já famoso: "Só uma vez!...". Ou quando puxam por uma lágrima ao canto do olho, e soltam um suspiro que parece vir do fundo das "entranhas da alma", que nos leva a vacilar. Tudo para nos atrapalhar a memória e nos fazer esquecer que, sempre que são contrariados, os pica-miolos são capazes das maiores fúrias ou de ameaças que nos levam ao pânico. Como quando nos dizem: "Não gosto de ti!", acompanhado por uma curvatura, prolongada, da cabeça em direcção ao chão, que nos deixa quase sempre à beira da rendição.

Há quem diga que o antídoto ideal contra os efeitos que os pica-miolos têm diante de um coração adocicado (como o das mães, por exemplo) passa por se colocar uns tampões nos ouvidos. O dia inteiro! Mas eu acho melhor que uma pessoa se encha de coragem e nunca os leve à mais pequenina das vitórias, que ela seja. Porque - diz-se, entre as mães - se um pica-miolos percebe a bondade do nosso olhar e nos sente a ceder (mesmo que se faça "cara-feia"), ele torna-se um "pequeno imperador" que faz com que o coração dos seus "adversários" mais corpulentos, a partir daí, não pare de andar aos solavancos. E depois - sim! - é um desatino.

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