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Pai, posso comer uma bolacha?
Será que a resposta é "Pergunta à mãe"?

É verdade que, não estranhamos saber que em muitas casas, quando um dos nossos filhos pergunta: "Pai, posso comer uma bolacha?" a resposta "rápida" é: "Pergunta à mãe…". E é verdade que esse inocente: "Desculpa, mas eu não mando" se repete em relação a um ror de coisas. Por isso, quando o pai ousa vestir um filho, são imensas as vezes em que uma criança aparece, a seguir, com outra roupa. Não esquecendo os comentários que o pai tem de ouvir, com alguma sátira, sobre a conjugação de peças de vestuário e cores no que ao "outfit infantil" lhe diz respeito .

É verdade que, na maior parte das vezes, a mãe anda muito mais "em cima" de tudo na educação das crianças. E que o pai - à conta de uma infinidade de "pergunta à mãe" - faz, vezes demais, de "distraído oficial". Ou de "segunda figura". Mas se, quando se trata de serem pais, a mãe e o pai tentam ser iguais para os rapazes e para as raparigas, em quase tudo, porque é que, quando se trata de gerir os dias das crianças quem "manda" (mais) nas crianças é... a mãe? Dir-me-ão: as crianças "gostam" mais da mãe porque ela "apanha" mais depressa o jeito de gostar delas do que o pai. Ou porque, simplesmente, ela se dedica mais a elas. Sim; poderá ser assim, muitas vezes. E isso é sempre bom, para todos? Não. E de quem é a responsabilidade: da mãe? Também não. É da mãe e do pai!

É verdade que somos paritários (como nunca!) na forma como educamos os nossos filhos. Sejam eles rapazes ou raparigas. No modo como lhes exigimos que assumam tarefas domésticas. Ou na maneira como lhes abrimos “as portas” em relação às oportunidades educativas. Ou como contribuímos para os seus sonhos. Mas se a paridade em relação ao modo como os educamos existe, o jeito de sermos pais deles precisa de ser menos sexista. Menos "desequilibrado". E mais igual.

Na verdade, não há igualdade de género quando se trata de sermos pais. E é importante que haja! Não se trata de beliscar, por um momento que seja, o lugar da mãe. Mas para que o pai saia deste papel um bocadinho engonhante, é bom que escute a mãe; claro. E que seja escutado. Que sejam cúmplices quando se definam regras. Desde que não se demita de cuidar, de intervir, e de decidir. E a mãe não alimente a ilusão que aceitar que o pai, em relação as crianças, quando muito, "ajude". Ou, mesmo que não ajude, não afirme: "Eu já só agradeço que não desajude". Mas porque é que tem de ser assim? Não seria melhor, para todos, que pai e mãe lutassem muito mais pela igualdade de género na forma como repartem as suas funções, quando se trata de serem país? E que reivindicassem direitos e responsabilidades tão iguais na forma como educam os filhos como aquelas que lhes exigem, quando os educam a eles? De que vale falarmos de paridade e, depois, quando se trata de educarmos, de forma activa, os nossos filhos, ficarmos por todos os exemplos de: "Pergunta à mãe" que fazem do pai alguém que "não arrisca", enquanto a mãe chama a si - qual furacão - a gestão, de fio a pavio, da vida das crianças? Pode haver paridade no mundo dos nossos filhos quando, a propósito duma simples bolacha, o pai (não de vez em quando; muitas vezes) se resguarda, com a conivência de todos, num cómodo: "Pergunta à mãe"?...

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