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Porque é que as mães são sempre culpadas do sofrimento das crianças?
É um clássico

“É um clássico: quando nos magoamos gritamos pela mãe. E ela - destemida - chega; vence todos os obstáculos até nos pegar; agarra-nos de forma firme e decidida; e, duma forma que não dá, sequer, espaço para hesitar ou respirar, diz: “Mostra o dói-dói!”. Com um olhar atento - que se eu fosse dói-dói me enchia de medo - examina-o. Uma vez. E mais outra. A seguir, afirma, com uma segurança inabalável: “Não foi nada!” Pega-nos ao colo. Aperta-nos tanto que quase nos sufoca. Nós - porque ninguém desafia Deus sem que lhe saía em sorte outro dilúvio - não protestamos nem nos mexemos. Depois, a mãe pespega-nos uns pares de beijos por tudo o que é nosso, que esteja mais à sua mão. E, finalmente, pousa-nos, com um sorriso, e, de forma convicta e sem margem para dúvidas, remata com o seu famoso: “Já passou!”. Entretanto, se for preciso, ainda dá tau-tau à mesa e faz um figurão que nos intimida, até, a nós (e que, noutro contexto, nos levaria a supor que fala sozinha) ralhando com o chão, que nos fez mal! Eu, por mais que não a queira levar ao engano, não tenho coragem nem de lhe dizer que o culpado está ali mesmo, debaixo do seu nariz. Mas a verdade é que, sem que eu perceba porquê, a dor - que, antes, parecia cortar-nos a alma - escapuliu-se. Foi-se. Evaporou-se! Porquê? Não sei! Mas que a mãe parece feiticeira lá isso parece. Moral da história: nunca te metas com uma feiticeira porque senão vais de príncipe a sapo num instantinho.” Na verdade, se as crianças escrevessem um Diário de Viagem, teria sempre de existir um capítulo mais ou menos assim.

E, depois, as mães admiram-se que os filhos, sempre que se magoam pela vida fora, culpem as mães de todas as dores. Afinal, quem foi mesmo que os habituou assim, quem foi?...

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