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Preocupadamente pais!
a vida em estado de sítio: 41

Hoje, seja o que for aquilo que tenham decidido em relação aos seus filhos pequeninos, qualquer decisão que os pais tenham tomado não será... "a certa".

Se uma criança não regressou à creche, estando os pais convictos que desse modo as protegem, eles ficam de coração destroçado. Racionalmente, estarão a reconhecer que, hoje, as probabilidades de perigo em relação aos meses de Outubro ou de Novembro, por exemplo, serão menores. Mas também reconhecem que, por falta de argumentos que os deixem tranquilos, não terão dados irrefutáveis que os levem a considerar que uma decisão destas os deixe seguros. Mesmo que os pais sintam que ter um filho seis meses fechado num apartamento, sem os desafios dos seus colegas, sem o acolhimento da sua "escola" e sem a estimulação da sua educadora representarão custos muito, muito elevados para o seu desenvolvimento. E tudo isso trará tensão e tensão a uma criança. E tensão e mais tensão aos pais.
Se as crianças foram à escola, os pais estarão a reconhecer que a creche ou o jardim de infância a quem confiam os seus filhos se protegeram com todas as cautelas. Mas, mesmo assim, entregam os seus filhos aos seus cuidados de "coração apertado". Teremos os pais tensos por causa dos riscos que sentem que os filhos podem correr. Tensos por se sentirem "obrigados" a fazê-lo. Tensos por os apavorar o arrependimento que possam vir a sentir. E tensos por terem os filhos assustados. E isto vai-se sentir naturalmente, nos seus olhos. Seja pela forma como pegam ao colo. Como se ouvem altos e baixos na sua voz. E como os "acompanham" à porta da "escola". E quando se cruzam com outros pais e se tentam delicadamente evitar uns aos outros. E quando alertam as crianças para não se tocarem ou se abraçarem. E quando, finalmente, ao chegarem à porta, as entregam, sem as poderem acompanhar até à sua sala ou ao seu cabide. Tensos porque, apesar de compreenderem a inevitabilidade das máscaras, os amuchuca deixarem os filhos num ambiente que ainda lhes é, também a eles, demasiado estranho e, ainda, demasiado próximo de ficção científica. Tensos porque tentam sorrir e transmitir confiança com os olhos aos seus filhos, mas  tudo lhes parece insuficiente.
Hoje, é um dia de tensões. E de imensa injustiça para todos os pais! Porque, façam o que fizerem, sentem que nenhuma situação será a "certa". E encontram uma "culpa" inquieta que parece não se acomodar a nenhum lugar.
Hoje, é um dia feliz. Porque se abriu outra porta na nossa relação com a vida. E é um dia triste. Porque não há direito que coloquem os pais diante de dilemas como estes. Sem que ninguém lhes garanta que podem estar seguros de tudo o resto. Para que se resumam só a ser, despreocupadamente, pais.

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