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Procuro novos pais
Os filhos são muito cansativos...

Porque é que, chegados ao verão, nada dos tira da cabeça que "as crianças aprendem todas segundo a mesma cartilha"?
Porque, mal entramos num bar de praia para tomar um café, elas assaltam o cartaz da Olá e repetem, com uma determinação que quase cansa de ver: "Quero um gelado!". E que, com a versatilidade de um negociador disposto a quase tudo, saltitam do primeiro "pode ser este?" para o próximo "pode ser este?", à razão de poucos segundos, sem nunca desistirem.
Porque, sempre que passa o vendedor de bolas de Berlim, todos temos que ouvir, embrulhado no ar mais desamparado que uma criança é capaz de fazer, muitos: "Só hoje... Sim?!…", que nos faz sentir as pessoas mais sem coração ao cimo da terra, sempre que repetimos um mesmo não, num tom que vai ficando para lá do amigável.
Porque é um inferno explicar àquelas almas que, depois do almoço, o passo seguinte da agenda diária de uma família não passa por se entrar num combate, por rounds sem fim à vista, entre "Hoje, não vou dormir!", por um lado, e "Pouco barulho!", por outro, connosco a rendermo-nos por KO técnico, ao fim de uma gritaria que nos estica a paciência até não se poder mais, e com as crianças a saírem do quarto com um sorrisinho "à Mayweather" que nos leva "ao tapete".
E, finalmente, porque, depois de uma férias de verão com os nossos filhos, estamos todos preparados para ir... de férias; para descansar. Porque, entre a parafernália de coisas que temos de levar até à praia; a atenção estonteante, ao nível dos melhores nadadores-salvadores das Marés Vivas, que nos é exigida, quando eles saltam entre as ondas; ou a forma como nos mexem com os "nervos", quer quando engolem pirolitos de água salgada, como quando ficam uns croquetes, depois de perdermos lhes tirarmos a areia "10 vezes", faz com que chegarmos à noite não signifique conversarmos, ouvindo as cigarras, enquanto se saboreia uma bebida e o calor. Não! Ao contrário, chegarmos à noite quer dizer cair de cansaço, cada um para o seu lado, com a casa virada do avesso, e com a sensação de que, ali pelas 7, já os temos, de novo, com uma energia que nos deixa de rastos, a quererem começar o dia "a 200", connosco, tipo zombies, a dar pequenos-almoços e a suplicar para que falem mais baixo.
Mas, depois de tanto esforço, termos de ouvir um filho a repetir, só mais uma vez: "Não é justo!", leva-nos até à parvoíce, ao nível duma insolação de lhes repetir: "Tu tens muito azar com os pais que te calharam…". A verdade é que os nossos filhos são muito cansativos! Nós adoramo-los, claro! Mas exigem tanto de nós, sobretudo nestes dias de praia, que o verão não é bem a doçura de férias com que passamos o ano a sonhar. O que não se entende é esta ideia, que todos cultivamos, de não podermos nem desabafar, como quem faz queixinhas, sobre a forma como eles nos cansam. Por isso, não estranhe se vir passear numa praia perto de si alguém mais pequenino com uma t-shirt, a dizer "Procuro novos pais". Nesse caso, sorria. Encontrou uns pais com sentido de humor.

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