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Prometo chatear-te!
Os irmãos são para toda a vida!

Chatear um irmão é uma forma milenar de lhe dizer que sem ele a nossa vida não tinha graça nenhuma. Mas que, com ele, ela mudou para muito pior. Por outras palavras: gostar de um irmão é uma forma de - em primeiro lugar, com compaixão - lhe transmitirmos que, ao contrário daquilo que sempre imaginou, ele foi adoptado e não é filho dos mesmos pais. Para que, logo de seguida, se acabar numa espécie de wrestling caseiro. Com a desconfortável sensação de que a nossa relação com ele está comprometida para todo o sempre, desde o dia em que descobrimos que o filho querido dos pais, afinal, não somos nós. (Não fosse assim, e eles dariam mais crédito a todos os nossos: “Não fui eu que comecei!”. Nem, em caso de dúvida, se zangariam com todos os filhos, ao mesmo tempo, como se fossem amigos dos “pagamentos por conta”. Nem passariam a vida a zurzir: “Pára de chatear o teu irmão!”, como se não fosse ele quem nos chateia a nós.). É por isso que gostar e chatear são, para os irmãos, muito próximos de serem a mesma coisa. Por mais que os pais, que têm a mania que os filhos são sempre amigos, não o compreendam...

Ora, este jeito muito “nem contigo, nem sem ti” que caracteriza a relação entre os irmãos é indispensável para que eles cresçam saudáveis. Para deixarem o egocentrismo, próprio das pessoas amadas, e saltarem para a solidariedade e para a bondade. Para aprenderem a ser agressivos com lealdade e boa educação. E para aprenderem a dividir, a serem cúmplices e a cooperar. Porque, afinal, chatear um irmão é uma forma de rivalizar com ele, de manifestar o ciúme que ele nos merece e de desabafar sobre a inveja que, por vezes, lhe temos. Isto é: a relação entre os irmãos é o barómetro da bondade e do sentido de justiça dos pais. Ou, melhor: a relação entre os irmãos é “a mãe de todas as provas” da forma como somos bons pais.


É verdade que educar não é fácil. E que educar vários filhos o será menos, ainda. Porque nos apanham em momentos da nossa vida amorosa diferentes uns dos outros. E com experiências de vida muito distintas. E porque a história dum filho, desde o princípio, nunca se repete. É por isso que, ao mesmo tempo que alimentam “o mito” de serem iguais para todos os filhos, os pais são sempre diferentes, como pais, para todos eles. Como podem não ser iguais e, ao mesmo tempo, ser, igualmente, bondosos e justos, será a tarefa mais difícil de todos os pais. Ontem como hoje.

É por isso que me pergunto onde está o bom senso de algumas pessoas quando afirmam que a relação entre os irmãos é mais educativa que a relação que cada um deles tem, individualmente, com os pais. E que os pais nunca deviam intervir nos conflitos dos filhos porque eles precisam de aprender a treinar “competências”.

Em resumo: chatear um irmão é mais de meio caminho para o amar. Assim os pais “chateiem” os filhos sempre que entendem ser justos para eles.

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