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Serão os pais de hoje melhores pais que os nossos pais?
Em parte, sim... em parte, não!

Serão os pais de hoje melhores pais que os nossos pais?
Em parte sim. Porque hoje nos centramos nas crianças. Nas suas características e nas sua necessidades.
Em parte, não. Porque agimos com elas sem lhes darmos tempo para serem crianças. Como se desconhecêssemos aquilo que, para elas, acaba por ser insubstituível e fundamental. E as tornamos - como, dantes - “adultos em miniatura”. Não tanto pelo descomedimento de antigamente. Mas, agora, por culpa duma agenda parecida com a nossa. Numa agitação diária que não foge da nossa. Sem tempo para construírem uma vida e a viverem ao seu ritmo e à sua maneira. Exactamente como nós.

Serão os pais de hoje melhores pais que os nossos pais?
Em parte, sim. Porque não educamos as crianças confundindo admiração, gratidão ou respeito com medo. Nem as agredimos, amiúde. Nem as penalizamos por aquilo que elas são como se, para isso, só mesmo a biologia fosse responsável.
Em parte, não. Porque temos tanto receio de reproduzir alguns dos episódios autoritários dos nossos pais para connosco que, na ânsia de sermos democráticos e justos, exercemos a nossa (indispensável) autoridade a medo. Como se as crianças tivessem de “aceitar” todos os nossos nãos. E como se, em cada um deles acentuasse o perigo delas deixarem de gostar de nós. A ponto de, para não mandarmos demais nelas, em muitos momentos, elas “mandarem”, como não deviam, em nós.

Serão os pais de hoje melhores pais que os nossos pais?
Em parte, sim. Porque escutamos opiniões. Porque procuramos os Blogs de outros pais. Porque lemos as perspectivas “técnicas” dos especialistas. Porque planeamos. Porque “controlamos”.
Em parte, não. Porque desvalorizamos, vezes demais, o “sexto sentido”. E nos deixamos enredar pelas opiniões dos outros. E porque, mesmo contrariados em relação aquilo que entendemos que devíamos fazer, nos “deixamos ir”. Como se uma ideia nossa de educação, fugindo às “tendências” ou às modas do momento, daquilo merecesse reparos, crítica ou censura e isso pusesse em causa a ânsia de sermos mais “certinhos” do que devíamos. E não suportássemos contrariar o “socialmente correcto” com aquilo que, intimamente, consideramos sensato, prudente ou, simplesmente, verdadeiro.

Serão os pais de hoje melhores pais que os nossos pais?
Em parte, sim. Porque sonhamos mais para os nossos filhos. E nos empenhamos muito mais na construção dos seus.
Em parte, não. Porque, muitas vezes, à conta dos sonhos que construímos a pensar neles, os prendemos tanto aquilo que sonhamos que a vida deles passa a pertencer-lhes menos a eles e mais a nós do que devia ser.

Serão os pais de hoje melhores pais que os nossos pais?
Em parte, sim. Em parte, não.
Em parte, sim, porque não repetimos muitos dos seus erros à custa dos quais construímos os nossos.
Em parte, não. Porque nos falta errar mais para sermos melhores.

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