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A depressão pós-bebé do irmão mais velho
A tristeza "bate"?

Todas as crianças se deprimem quando têm um irmão. Ficam mais apáticas. Às vezes, mais implicativas, mais resmungonas e mais "inflamáveis". Nalguns momentos, desafiadoras. Em certas alturas, chorando "por tudo e por nada". E - quase de surpresa, para os pais - passando duma atitude "afável" e protectora para com o irmão mais novo para manifestações de ciúme e inveja. "Terminando" em atitudes de picardia ou em gestos mais agressivos, vindos "do nada", em relação a ele.

A depressão pós-bebé numa criança tem três momentos particulares em que se torna exuberante: quando uma criança visita a mãe e o irmão, na maternidade; um período intermediário, aparentemente, afável, em que o filho mais velho parece muito "adaptado" à chegada do irmão; e o período em que o abatimento depressivo se torna mais exuberante (ali pelo ano do novo bebé).

Quando uma criança visita a mãe e o irmão, a reacção de uma criança mais crescida é muito "intensa". As olheiras tornam-se fundas e o olhar triste intenso. Na verdade, o facto da mãe estar numa cama de hospital, com claras limitações de mobilidade ajuda a que este "cenário" assuste muito uma criança a ponto de a imaginar doente, de a levar a ignorar o irmão bebé e de terminar a visita deitando-se junto da mãe, na cama dela, adormecendo.

Mais tarde, as mudanças que se geram com a chegada de um irmão, por mais que os pais as tentem planear, são vertiginosas: uma criança sente um "corte" significativo da relação com a mãe, passa de primeira figura a "actor secundário", e as assimetrias das atitudes dos pais em relação a ela oscilam entre uma condescendência exagerada diante de algumas "regressões" de comportamento, a uma complacência, que vai para além dos limites, diante da falta de autonomia do irmão mais velho. Como, a seguir, por algumas desatenções em relação a algumas das suas "chamadas de atenção" (regra geral, mais inflamadas e vindas, aparentemente, de supetão). Todavia, neste momento intermediário, os pais afirmam, muitas vezes, que "o mais velho" gosta muito do irmão, que é muito amigo dele, etc. Na verdade, essa "boa adaptação" só é possível porque "o mais velho" vê o chão fugir-lhe. E está "em choque".

Quando, finalmente, "o bebé" (que é uma "categoria" cheia de privilégios) dá um ar da sua graça - entre o ano e o ano e meio - e quando cobiça os brinquedos do mais velho e procura uma relação intensa com ele, vêm lá as manifestações de ciúme e de inveja, que se prolongam por um mês a três, cuja exuberância depende da forma como os pais lidam com ela. Exactamente da forma como comecei este texto.

Por outras palavras, a depressão pós-bebé do irmão mais velho não surge, de forma mais exuberante, senão pelo ano do irmão mais novo. É uma manifestação saudável, considerando todas as mudanças que um bebé traz. E não supõe que os pais estejam a falhar. Pelo contrário! Quanto mais eles são melhores país mais se torna difícil, num primeiro momento, dividi-los por dois. É claro que este estado depressivo dói um bocadinho. Mas é indispensável para que, a seguir, se passe do ciúme à fraternidade entre os irmãos.

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