Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no nosso website. Ao navegar neste website está a concordar com a nossa política de cookies.
As pessoas, quando se amam, nunca morrem!
Apenas se escondem

E, de súbito, um bebé faz um olhar maroto. Certifica-se que os nossos olhos estão presos nos seus. Vira o rosto, com um breve sorriso, medindo-nos sempre pelo canto do olho. Procura a parede mais próxima. Foge do nosso olhar como se, não nos vendo, tivéssemos deixado de existir. E, de repente, reaparece, triunfante. Nós, sem o querermos desiludir, fazemos um espalhafato "dos antigos", como se nos tivéssemos assustado. Ele, "escangalha-se" a rir. E, levando a preceito o nosso número, dizemos, carregando as sílabas uma a uma: "Cucu, bebé!…". (O “u” é um som que se sopra; para longe. O “e” abre, aproxima e segura.) E o mundo fica simples e fácil, muito fácil; outra vez. As pessoas, quando se amam, nunca "morrem"! Apenas se escondem. Aliás, sempre que são necessárias damos com elas. E é por isso que, vendo bem, nunca estamos sós.

O "Cucu, bebé!…" - que tem uma versão um bocadinho mais cheia de "vaidade de mãe" como, por exemplo: "Não 'tá cá a mãe!…" (que espera, depois de tantos “ás”, uma expressão de rosto do bebé com muitos “ós!”, e que termina com uma espécie de "descansa que mãe que é mãe não dorme, não se distrai nem, muito menos, desaparece"; do género:) "'Tá... 'Taaaaaá!" - transforma em brincar a dor da ausência e da perda. "Espera lá - pensa o bebé - se ela é tão insubstituível, como vou eu amanhar a minha vida sem ela sempre ao pé de mim?…" E o que faz a mãe? Brinca com coisas sérias! (Ah, pois é!…) "Se pensas que te escondes, esquece. Eu dou sempre contigo!". Mas, afinal - pergunto eu - é o bebé que descobre a mãe ou ela que dá sempre com ele?...Mas isso é importante? Nem por isso! Importante, de verdade, é um e outro recapitularem, com todas as sílabas, todos os dias, com "ás" e "és" e "ós": As pessoas, quando se amam, nunca "morrem"! Apenas se escondem. Aliás, sempre que são necessárias damos com elas. E é por isso que, vendo bem, nunca estamos sós...

subscreva