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Bebés a dar horas
Porque é que os bebés, entre os 12 meses e os 2 anos, dão tanta luta para dormir?

Porque é que os bebés, entre os 12 meses e os 2 anos, dão tanta luta às mães, quando se trata de dormirem uma noite inteira?

Porque, regra geral, a grande maioria deles continua a ser amamentada. Mesmo que, durante a noite, “a mama” seja, para muitos deles, nas palavras das suas mães, “um vício”. O que quer dizer, por outras palavras, que “a mama” será um recurso de que eles usufruem - para adormecerem, por diversas vezes, ao longo de uma noite - enquanto se entregam aos sons, ao cheiro, à palavra e, sobretudo, ao colo (aconchegada e seguro) da mãe.

Ora, se a mim já me preocupam um bocadinho os intercomunicadores - que fazem com que (sobretudo) a mãe acorde, repetidamente, ao longo de uma noite, ao mínimo barulhinho que escuta, vindo do quarto do bebé (o que faz com que, sem querer, a sua presença interfira, por vezes, no seu sono e o desperte) - a mama, funcionando como uma chupeta com “a melhor mãe do universo” acoplada, faz com que um bebé se vá “habituando” a entrecortar o sono com alguma regularidade, para mais quando, com isso, lhe chegue o amor de mãe na sua versão mais “premium”. O que leva a que um bebé tenha uma espécie de relógio na barriga. E acorde, razoavelmente às mesmas horas, para ter (só) mais um bocadinho de colo e de alma de mãe. À boleia da mama, claro. Assegurando-se que a melhor mãe do mundo não fugiu. E está ali.

O que complica tudo o mais é a forma como um bebé se transforma num manifestante “poderoso”. E, sempre que a mãe não corresponde àquilo que ele mais reclama, as noites dos pais vão-se transformando num pequeno inferno. Com eles, na sua bondade, a imaginarem que um bebé deixará, “com a idade”, de reclamar por direitos que, entretanto, adquiriu. Será por acaso que estes bebés não acham graça nenhuma à chupeta? Não! Compreende-se... Com a mãe, tão delicadamente, a dar-lhe a versão original com que um bebé foi, desde sempre, acalentando a arte de chuchar para adormecer, como pode ele aceitar, sem reclamações, um substituto que não tem a voz, o sorriso, o cheiro ou a delicadeza da mãe?

Chegados aqui, receio que não restem muitas alternativas a uma mãe que não seja “tirar o vício” ao bebé. Isto é, que o inicie na arte do desmame, durante a noite, como forma dele sentir que ter uma mãe mágica e omnipresente não pode querer dizer que se tenha de ter uma mãe em “modo de alarme”, a noite toda a dormitar e a despertar, por causa dele. O que, valha a verdade, em vez de por a barriguinha de um bebé a sossegar, não só o assusta como coloca o seu coração, de tão inquieto, a noite toda, “a dar horas”.

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