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Carta reivindicativa dos bebés a quem governa
Os bebés portugueses passam, em média, 40h em creches e berçários!

Carta reivindicativa dos bebés a quem governa

1. Os bebés têm direito a ser bebés enquanto podem ser bebés. Por isso mesmo, têm direito a ter seus ritmos, os seus pequenos rituais e a terem a sensação que o mundo pára, unicamente, para os ver e descobrir. E conhecer.

2. Os bebés têm direito a não acordar à pressa, a não viverem em stress e "a olhar para o relógio", e a não ficarem o dia a ver passar as horas, olhando para um móbil, que dá voltas e voltas diante dos seus olhos.

3. Os bebés têm, também, o direito a ter muito tempo de mãe ou de pai para crescerem saudáveis. Logo, quando são privados dos seus factores de crescimento, aos bebés são-lhes impostos atrasos de desenvolvimento que vão contra as suas necessidades e contra os seus interesses.

4. Os bebés têm direito a não se assustarem, todos os dias. E têm direito a viver amedrontados quando os rostos que lhes falam e as mãos que lhes mexem saltitam, quase todos os dias. Por isso mesmo, têm direito a não ter de viver tristonhos e cabisbaixos com medo que os pais os entreguem aos cuidados de “estranhos” ou se esqueçam deles. Ou os “abandonem”.

5. Os bebés têm direito às cantilenas que conhecem. Aos cheiros que lhes são familiares. E às cantigas de embalar e ao colo que os faz sentirem-se no “ninho”. Doutro modo, é como se tivessem muitos cuidadores enquanto vivem fora de casa.

6. Os bebés têm direito ao ar livre. Ao frio e ao sol. Têm direito à rua. Têm direito aos ruídos da cidade. E às mesmas vozes que os aconcheguem quando eles se sentem a atravessar o mundo todo a que têm direito. E têm direito a não crescer virados sobre si mas de o fazerem abertos à vida.

7. Os bebés têm direito a mexer-se. E a movimentarem-se! Têm direito a ter a vista na ponta dos dedos. E a perderem horas, num sítio seguro, a aprender a mexer o tronco ou a segurarem a cabeça, com a firme convicção que não são eles que devem "adaptar-se" ao mundo mas, ao contrário, deve ser o mundo a crescer com eles.

8. Os bebés têm direito a adormecer quando lhes apetece e nunca a dormir porque estão com medo. E têm o direito a que as pessoas crescidas reconheçam que bebés muito sossegadinhos são crianças a quem falta sossego ao seu crescer.

9. Por tudo isto, os bebés entre os 0 e os 3 anos têm direito a não passar 40 horas, em média, por semana, aos cuidados de amas, infantários ou creches. Porque isso significa que, por mais que haja quem diga que todos os bebés são iguais em direitos, todos nos resignamos com a tragédia de haver bebés discriminados pelas carências dos seus pais que, não cumprindo os parâmetros com que as pessoas crescidas falam da pobreza, acaba por representar um estado de indiferença - assustadora!! - de todos nós às carências e ao sofrimento de inúmeros bebés.

10. Se os bebés deste país mandassem proibiriam quem os governa de falar dos direitos das crianças e do direito à educação e à justiça. Porque isso é uma hipocrisia insultuosa. E um atentado ao futuro de todos os bebés!

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