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Hoje é o Dia da Natalidade
E isso dá que pensar

Hoje é o Dia da Natalidade e, estranhamente, a natalidade não tem sido uma urgência de regime. Nem tem representado uma discussão que nos leve a perguntar de que forma é que o Estado entende a parentalidade como um bem de primeira necessidade. Apoiando os pais com medidas legislativas que vão, por exemplo, da forma como perspectiva as licenças parentais ao modo como contabiliza os gastos com a educação (ou os gastos com a água!) em sede de IRS. Ou à forma como não se empenha a regulamentar a flexibilidade laboral para os pais. Ou, ainda, a implementar uma rede de educação pré-escolar que não permita que os jardins de infância sejam mais caros que as universidades privadas.

Hoje é o Dia Nacional da Natalidade. E é claro que nos assusta comparar a taxa da natalidade de hoje com a taxa de mortalidade. Estamos a "morrer" devagarinho. E, ainda, os números da natalidade interpelam-nos para o modo como parecemos estar a transformar este país num lugar de filhos únicos. Ou de famílias muito pequenas. É claro que não é por acaso que, quando chegamos ao terceiro filho, estamos muito aquém da taxa da Suécia e da própria União Europeia. O rendimento das famílias e as políticas públicas de apoio à natalidade fazem a diferença.

Hoje é o Dia Nacional da Natalidade. E os números da taxa de mortalidade materna de há dois anos subiram. E a taxa de mortalidade perinatal de há um ano aumentou, de forma muito preocupante. Porquê?

Hoje é o Dia Nacional da Natalidade. E dois terços das mães portuguesas amamentam em exclusivo até aos três e quatro meses. E este valor tem aumentado nas últimas duas décadas. E isso é bom! E se, em 1980, existiram 17.973 adolescentes que deram à luz, em 2018 esse número baixou para 2.028 jovens, entre os 11 e os 19 anos. E isso será um incentivo para os cuidados que as famílias e as escolas têm tido.

Hoje é o Dia Nacional da Natalidade. E muitas mulheres têm medo de confessar que se arrependem de ter sido mães: 5% no caso português. Ou que não se sentem felizes e realizadas no seu papel de mãe (13%). E isso devia dar-nos que pensar. Porque os números poderão estar aquém daquilo que se pode estar a passar.

Hoje é o Dia Nacional da Natalidade. E a percentagem de mulheres portuguesas em idade fértil que não querem ser mães é de 9%. Não desejam ser mães porque não querem ter a responsabilidade de cuidar. Estas mulheres têm em comum o facto de não sentirem vontade e desejo de criar um filho e admitem não sentir um carinho especial quando vêem bebés ou crianças. E muitas delas são criticadas (muito criticadas!) por isso. E não devia acontecer.

Hoje é o Dia Nacional da Natalidade. Ou o "Dia dos Grávidos", gostaria eu. Na verdade, devia ser - muito mais - o dia dos pais e dos filhos. Um dia em que todos os partidos políticos - da esquerda à direita - em plena campanha eleitoral deveriam explicar-nos por que motivo acham que uma política de base da família e da criança não é urgente. Quando, todos nós, achamos exactamente o contrário. Porque, se o fizessem, hoje seria um dia de esperança. Em vez de ser um dia de preocupação.

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