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O sindicato dos bebés
Um país amigo do futuro devia ser amigo dos bebés

 Muitos bebés “pegam ao serviço” antes das oito horas e ficam no “trabalho” até tarde. Muitas vezes, até tarde demais. Algumas, até à noite. Conhecem melhor o perímetro do berço da “escolinha” que o colo reparador de alguém com quem conversem. Repartem a atenção com que “escovam” o brio com muitos outros rivais. Aguardam na fila para serem mimados ou alimentados. E passam por diversos colos, por olhos demais e por mãos de sobra.

Muitos berçários são barrigas de aluguer. E por mais que haja bebés com pessoas sérias a cuidar de si, muitos outros… são deixados ao cuidado de curiosos que os expõem a perigos. Se alguns são mimados, outros ficam, mais ou menos atordoados, a olhar para os mobiles que servem - para os bebés (como os desenhos animados, em inúmeros infantários) – de “hipnose” para crianças mexidas.

Muitos berçários são um mal necessário. Fazem mal aos pais e às mães (que não toleram a ideia que um bebé passe a gostar mais da educadora que deles). De tal forma que há mães que, com um rigor indisfarçável, encontram sempre mais uma mazela, por pequena que seja, que desqualifique a “rival” sossegando a inveja de alguém ter o melhor de si, por mais tempo, num só dia. E fazem mal aos bebés porque – por mais que pareçam estimulados e a crescer “senhores de si” – levam a que se sintam precocemente abandonados e, muitas vezes, sem ninguém que legende os sonos, as fúrias, ou o apetite teimoso com que protestam.

Um país amigo do futuro devia ser amigo dos bebés. Criando condições para que não saiam da família antes dos dois anos. Mas o Estado, à falta de uma ideia do crescimento, coloca o coração de muitas crianças ao nível da irrelevância de uma repartição de finanças ou de uma secretaria notarial. Afinal, para muitos políticos, a protecção dos bebés e das famílias insere-se numa ideia de cuidados que parece resumir o mundo das crianças a suaves prestações de mimo, das 9 Às 5.

Muitos bebés, tendo pais com braços de berço, são confiados a berçários. Ora, um berço não é bem uma cama fofa e movível. Um berço é o enamoramento a dois, que vai do brilho dos olhos ao fundo da alma. É a varanda de comunhão (depois do “meu coração dentro do teu”, que se experimenta no útero) que vai até onde a capacidade para comungar com o outro deixa que se vá. E que não deve ser uma regalia de alguns, mas um direito de todos. *

 

 

*Texto em repositório com edição especial para a sua versão digital

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