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O teu marido assistiu ao parto?
"Assistiu"?

"O teu marido assistiu ao parto?” devia ser uma expressão proibida quando se fala de bebés.
Em primeiro lugar, porque “assistir” introduz distanciamento. Uma aragem de passividade. Um envolvimento muito comedido.
Em segundo lugar, porque “assistir” significa que o parto se resume à chegada, propriamente dita, do bebé. Ao período expulsivo. E pouco mais.
Depois, porque “assistir” não pode ser opção. Porque o parto não é um espectáculo. É a viagem mais fulgurante que se pode ter até ao sagrado. E porque viver o parto não pode estar dependente da susceptibilidade de um pai, do seu lado impressionável ou dos cuidados protectores duma grávida.
A seguir, porque um pai é um grávido. Logo, há opção quando se trata de, também ele, ter o bebé?
E “assistir” atrai a solidão no parto. Compromete e rasga uma relação de casal. Decepciona. “Abandona”. E entristece a mãe.
E até porque “assistir” faz com que o pai deixe de ser um bocadinho pai naquela altura. Ou a partir desse momento. É curto. Para quem tem de estar sempre presente, em todos os momentos.
Finalmente, porque “assistir” não é participar. E o parto não é a gravidez. Viver a gravidez e participar no parto (ter o bebé!). Será essa a ideia quando se fala de pai e de parto.
E podem ser palavras. Coisas, aparentemente, quase sem importância. Mas não é bem assim. Daí que "assistiu ao parto?” é melhor não.

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