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Todos os momentos mágicos têm um "lado b"!
E quando nasce um bebé não deixa de ser assim

É mágico espreitar para dentro da barriga e vê-lo, ecografia atrás de ecografia, a ganhar forma, a espreguiçar-se ou a mexer-se. É mágico imaginá-lo; desde a cor dos olhos a todos os "como será?" que nos passam, a "passos de bebé", pela cabeça. É mágico agarrá-lo, pela primeira vez, e de repente, perceber-se que há sonhos que não pesam e que nos olham na alma, sem pestanejar. É mágico admirá-lo a dormir! É mágico que ele sorria e que, só por isso, todos nos digam: "ele é tão feliz!". E que tudo isso aconteça só porque nós (e só nós!) existimos para ele. É mágico tê-lo ao colo e cantar-lhe canções que guardámos no ouvido (e que nunca imaginámos recordar), e perceber que ele chega para desempoeirar a nossa infância e a entrelaçar na sua. E é mágico quando ele "dobra o riso" e reage como se fôssemos o único sol de que precisa.
Mas um bebé vira-nos, também, do avesso. E torna-nos pequeninos e, sobretudo, muito assustados, quando parecemos não ser, em todos os momentos, tudo aquilo que tínhamos sonhado. E atropela-nos as noites, umas atrás das outras. E a sua chegada faz com que haja muitos momentos em que uma mãe se sinta muito sozinha, com todas as responsabilidades do mundo sobre os seus ombros. E sempre a querer ser mais mãe e melhor mãe, a todos os segundos. E não é fácil que as outras mães, sem quererem, se "aproveitem" da chegada do nosso bebé e falem de todos os "sustos de mães" que tiveram de vencer, e que pareçam (com muitos "tu vais ver") tão vitoriosas e tão seguras que uma pessoa acaba sempre a sentir-se um bocadinho "pior mãe". E não é fácil, quando nasce um segundo bebé, que haja, sempre a intrometer-se na nossa cabeça, o arrepio de se "trair" o amor pelo nosso primeiro filho com o amor pelo segundo. E, muitas vezes, não são nada fáceis os arranjos que têm de se dar na relação entre a mãe e o pai do bebé.

Todos os momentos mágicos têm um "lado b"! E não é mau que tenham. Sobretudo porque esses "lados b" não comprometem o nosso amor por ele. Antes lhes dão mais luz! Mau é que pareça haver uma “ditadura das coisas cor de rosa” sempre que nasce um bebé. E que (sobretudo) a mãe fique, por causa disso, a sentir um ror de coisas mais ou menos sozinha, com medo de não conseguir chegar àquilo que entende que uma mãe "tem" de ser. Porque é que os "lados b" da gravidez e da maternidade têm de ser "secretos"? Porque é que eles têm de ser vividos de forma quase envergonhada? Porque é que não podemos ser claros e verdadeiros para todos as mães e dizer-lhes que nada dos seus "lados b" mais secretos faz delas menos mães? Ou que são eles que tornam os momentos mágicos ainda mais mágicos?

Foi por tudo isto - pelos momentos mágicos e pelos "lados b" da gravidez e da maternidade - que escrevi "Quando eu estava na tua barriga". Espero que este livro possa ser tão acolhedor para si quanto foi para mim guardar nas suas páginas muitos anos de conversas íntimas com mães, com pais... e com bebés.

 

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